domingo, 29 de julho de 2012
ESTRADA
Lendo Ciranda de pedra, novamente Lygia. Guardei suas palavras como uma oração, "Dante esqueceu de criar esse círculo em seu inferno, o dos rejeitados".
Isso mais nada tem a ver com amor, ou coisas do gênero, o agora é encarar a realidade, não ter uma segunda chance, mas esquecer.
Tem feito tanto frio, e ás vezes eu abro a janela, mesmo com o vendo, sinto como se fosse partir ao meio, já tentei enterra-lo várias vezes, mas mesmo de longe continuo a ouvir seus gritos, e é tão cruel que me quer por perto, vivo com uma pedra no bolso.
"Na véspera de nada
Ninguém me visitou
Olhei atento a estrada
Durante todo o dia
Mas ninguém vinha ou via,
Ninguém aqui chegou.
Mas talvez não chegar
Queira dizer que há
Outra estrada que achar,
Certa estrada que está."
Fernando Pessoa 22-11-1934
domingo, 15 de julho de 2012
É preciso ...
"Acredite ou não, é preciso muito amor pra te odiar desta forma..."
(Eu sou o mensageiro - Markus Zusak)
Encontrei Danillo no ônibus, justamente quando estava terminando de ler "Eu sou o mensageiro", coincidencia ? nada.
-Olha só o que eu to lendo! Lembra?
- Aham, eu tenho ...
- O final é bom ? Não parece ...
-Bom não é, mas é satisfátorio.
Bem, não foi. A vida também não era o que parecia. Ele disse que sempre passava por maria paula lembrava de nós dois caminhando por lá "eu vejo nós dois andando por aqui", jeito estranho de lembrar de alguém, assim como as mensagens que Ed recebia escritas em cartas de baralho, um jeito estranho que ajuda.
-Mas e o seu pai ? como ta?
-Meu pai faleceu...
-Mudou alguma coisa ?
-Se mudou alguma coisa? não muito.
Eu dormi grande parte da viagem, tenho trabalhado e misturado muito de tudo para ter espírito para conversas amenas, talvez até tenha perdido alguma oportunidade de ajudar ele, consolar, sei lá ... Mas foi estranho, tinha algo quebrado.
"Se meu estômago tivesse cor, penso, seria preto como esta noite, e eu me equilibro e dou início ao que parece ser uma caminhada sem fim até minha casa."
Todo o resto ficou bem distante, por que por dentro não mudamos muito.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
INVERNO
" Morreram: uma de cada lado e de morte diferente, pois quem foge de casa encontra a morte"
Raimundo Carrero - Sombra Severa
Outro Outono, outro serzinho com excesso de vida, é quase um antidepressivo. Acabou.
Gosto do inverno, principalmente de noite, quando pareço estar em outro país, foi a minha primeira recordação quando fui à outra casa, que passava por plataforma suja, gente feia, dois cemitérios, etc.
Mas nenhum lugar é como esse, sobretudo no inverno, minha nova casa não é branca, não é tão clara, mas têm janela, e quando me aproximo dela sinto que não preciso mais de rua, nem de telefone, eu precisei de 20 anos para estar pronta para me aproximar de uma janela sem horror.
Começou julho, perdi cabelo, perdendo minha visão, parece que o relógio de contagem regressiva foi ligado. Se era intuição pra valer, que eu jurasse, eu juro.
domingo, 1 de julho de 2012
Palavras, mas serão envenenadas ?
20 anos e meio e um breve ententendimento do que é ser adulto. Aprender que os sentimentos distorcem a realidade, nem tudo é o que parece, e nem tudo que reluz é ouro.
Palavras envenenadas narra mais ou menos isso, depositar a esperança em resolver uma situação, ficar em dúvida entre amizade e egoísmo, afinal será que se pode ignorar seus próprios desejos em nome da amizade ? o amor permissivo, o amor que beira o absurdo ... Mas principalmente este último, como não se percebe que deixamos o amor de lado e começamos a confundir com posse ? e quando isso começa ?
Estranho quando pensamos/passamos por algo começamos a ver em todos os lugares, eu tenho visto em livros, revistas, filmes e até no horóscopo ...
Mas eu resolvi escrever isso principalmente porque o último capítulo de palavras envenenadas me trouxe a realidade:
"E esse foi o começo do fim"
será ?
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